
domingo, 21 de Junho de 2009
Just a stupid cold soul...

quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Distúrbios de uma louca (part 1)
.jpg)
Mas os riscos não pararam, a mão pequena e tensa tornou desconcertante o pedaço de papel que cedia a pouco e pouco, ao passo que o meu ser se dilacerava com ele.
Denoto um certo masoquismo, uma certa vontade e gozo de me perder, de cortar e desfazer o papel em pedaços, e eu? Oh frágil boneca de porcelana... Que vales tu? Desprovida de alma, desprovida de querer, de sonhar e viver. Um simples acidente e num colidir de segundos, pedaços do que foram uma alma, bocados de sonhos, vontades perdidas no tempo e uma vida que agora conhecia a morte. Também eu sou papel.
quarta-feira, 13 de Maio de 2009
Ausência

domingo, 21 de Dezembro de 2008
Despedia-me...

Da ponte escura e velha,
Despedia-me de uma terra,
que não era a minha.
A neblina pairava sob o rio.
A escuridão envolta das casas.
As mães chamavam seus filhos
que jogavam à bola na rua...
As varinas recolhiam as bancas
os pescadores retornam da lida
O vento desassogava
as almas mais serenas
A chuva caía timidamente,
e eu... despedia-me.
A chuva trespassava
a camisa molhada.
a temperatura descia,
o corpo tremia....
Que importa o frio?
A chuva?
Além deles o que me acompanha?
A triste e inglória solidão...
Mais uma vez, observava,
Mais uma vez, me apaixonava,
Mais uma vez, me despedia...
Por isso,
Deixei a chuva beijar-me a face
Deixei que o vento me envolvesse
um abraço e despedi-me...
Porque agora era fácil,
Passo a passo,
Os segundos fugiam, os últimos...
Sem hesitações, sem recuos,
Soltei as mãos, deixei-me cair,
O frio apoderou-se do corpo...
As estrelas desapareceram...
Fechei os olhos e
tornei-me água...
* Desconhecido 21/12/2008 *
quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Chegou a hora...
Desejava ansiosamente ficar... ali, sozinha... Num sítio pouco ou nada conhecido. Os segundos passavam, os minutos fugiam à velocidade da luz por entre os dedos e o tempo esgotava-se como quando se esgotam os bilhetes para aquele grande espectáculo que tanto ambicionámos assistir...
Sabia que o minuto a seguir podia ser o último, era apenas uma questão de sorte? Ou talvez seja mais adequado dizer "destino"? Mas que importava isso?
Esta extasiante utopia estava prestes a terminar, e olhar-te era cada vez mais delicioso, cada vez mais um desejo, cada vez mais um suplício de te ter perto, de sentir aqueles escassos abraços repletos de timidez.
A cada olhar sentia o desejo, não o desejo físico, não aquela atracção que sentimos pelo que é vulgamente "bonito", mas sim a vontade de recuar no tempo e poder parar os relógios nos poucos momentos em que nos foi possível estar juntos.
Na memória levo-te o olhar, levo os abraços, os beijos e mais do que tudo um sentimento de saudade que me corta a alma em pedaços, o que de mais profundo tenho em mim.
Chegou o momento! O destino não me deu mais de 20 minutos para contemplar o teu olhar, os teus gestos e toda a magia que te envolve... sabia que ia ser a última vez... com uma certeza irreversível e triste...
Despachei a bagagem e olhei-te uma última vez, novamente aquele olhar meigo, carinhoso, daquele que me protege, daquele que move rios e montanhas para me fazer rir.
Era a ultima vez que ia ver esse ter olhar e a consciência, nestes momentos, pesa toneladas e deixa-nos como que a viver numa outra realidade paralela à que conhecemos. Era isso que sentia, como se estivesse a fugir da realidade, do sonho e a conhecer esse teu lado preferido, aquele lado que também eu aprecio em mim, às vezes... A capacidade de ignorar, de matar acontecimentos e sentimentos, como quem mata um mero insecto, sem olhar para trás, sem pensar duas vezes...
Agora é só isso que nos resta, meu amor, convencermos os outros e especialmente a nós mesmos de que o que vivemos foi um acto não reflectido e não sentido.
Olhei-te uma última vez para ver esse brilho, o brilho que se iria perder para sempre, aos meus olhos... Ia conhecer aquele teu outro "eu" que de uma ou outra forma me iria magoar.
Guardei o brulho e levei o presente na memória e daí nunca mais poderá sair. Mesmo longe vou continuar a recordá-lo, até ao dia em que, tal como tu, acredite que o que vivemos foi um erro, foi simplesmente o resultado de uma carência acumulada ou de alcóol a mais a percorrer o nosso corpo. Depois de ter partido, só posso pedir-te que sejas o mesmo que eras antes destes dias, mais não irei pedir.
Com saudades da tua sempre amiga,
Catarina 8/12/1982